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Sistema Solar:

Nasa esclarece sobre passagem do cometa Elenin

Dois cientistas da Nasa responderam diversas perguntas do público, desfazendo alguns

dos equívocos e mitos veiculados na internet sobre a aproximação do cometa Elenin.

 

Por Pepe Chaves*

De Belo Horizonte-MG

Para ASTROVIA

BH-13/08/2011

 

Projeção: Nasa prevê que o Elenin passará a uma considerável distância da Terra.

 

Aproximação eminente e evidente

 

A aproximação do cometa Elenin é fato e tem gerado alguns comentários, além de fazer veicular muitas afirmações bastante equivocadas, especialmente, através da internet. Alguns blogs e portais sensacionalistas estão associando o Elenin a um possível “fim do mundo”, supondo que esse astro errante venha se chocar contra a Terra em um futuro breve.

 

Há também quem acredite no disparate de que o dito cometa se aproxima da Terra juntamente com uma escolta de espaçonaves extraterrestres. Diversas outras hipóteses igualmente bizarras, partindo de determinados ufólogos, gurus, médiuns ou pseudo-entendidos do espaço sideral, também coabitam os controversos terrenos férteis da internet.

 

O cometa Elenin, também conhecido no meio astronômico pela nomenclatura C/2010 X1, foi detectado pela primeira vez em 10 de dezembro de 2010, pelo astrônomo russo Leonid Elenin, ao realizar observações em Lyubertsy, na Rússia.

 

A partir de suas observações, a descoberta se fez “remotamente”, pois foi usado o observatório Ison-NM, perto Mayhill, situado no Novo México, para concluir a descoberta. Naquela época, o Elenin se encontrava a 647 milhões quilômetros da Terra, cuja distância atual é quase a metade disso.

 

Desde a sua descoberta, o Elenin tem se aproximado da Terra – assim como fazem naturalmente outros cometas -, uma vez que faz parte de sua trajetória seguir junto ao periélio, o ponto mais próximo ao sol.

 

De acordo com a Nasa, o Elenin deverá passar a uma significativa distância de 35 milhões de quilômetros da Terra, no momento em que fizer a sua maior aproximação, em 16 de outubro de 2011. Portanto, garantem os cientistas, o astro errante não deverá oferecer nenhuma influência ou perigo à vida na Terra, tampouco se chocará com o planeta ou surgirá escoltado por naves reptilianas ou o que as valha.

 

Crendice popular

 

Assim como no passado, os cometas continuam figurando para muitas pessoas, como símbolos de mau agouro ou presságios de acidentes globais. E agora, nestes tempos atuais, espíritos apocalípticos e apoteóticos contam com um forte aliado para difundir boatos e inverdades catastróficas: a internet.

 

No entanto, do ponto de vista científico, as supostas profecias ou previsões associadas aos astros, errantes ou orbitais, assim como a própria astrologia, são da mais pura crendice popular.

 

Tomadas pela fé particular e, em parte, por vivenciar um tempo onde os distintos problemas sociais e distúrbios de ordem psíquica se agravam, as pessoas estão a crer mais facilmente em tudo o que for bem colocado.

 

Procurando dissipar algumas dúvidas mais comuns do público, dois cientistas da Nasa se prontificaram a responder as perguntas mais frequentes sobre a aproximação do Elenin.

 

Imagem mostra o cometa Elenin como uma longínqua bola de luz.

 

Nasa esclarece dúvidas

 

Don Yeomans, diretor do programa Near-Earth Object do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa (JPL), em Pasadena, Califórnia, e Morrison David, diretor do Instituto de Astrobiologia e Pesquisas da NASA, em Moffett Field, Califórnia, falaram ao público sobre  aproximação do Elenin.

 

Eles esclareceram que a vida planetária na Terra não corre perigo algum por conta dessa aproximação astral, porque a trajetória do cometa o colocará distante o suficiente do nosso planeta.

 

Os 35 mil quilômetros que nos separarão do Elenin quando de seu menor ponto aproximação representam cerca de 90 vezes a distância entre a Terra e a Lua. Portanto, garantem os pesquisadores da Nasa, a menor distância de aproximação do Elenin não influenciará o nosso planeta.

 

Os cientistas descartam qualquer possibilidade de o cometa exercer influências, seja nas marés, no clima, ou  sobre qualquer outra particularidade da Terra, como está sendo divulgado equivocadamente por determinados meios de comunicação. Uma das teorias catastróficas afirma que o cometa será influenciado por “corpos escuros” localizados no sistema solar e, com isso, teria sua trajetória alterada, levando-o ao encontro da Terra.

 

Especulações mais comuns

 

De acordo com Yeomans, “Houve especulações incorretas na Internet afirmando que os alinhamentos do cometa Elenin com outros corpos celestes poderiam causar consequências para a Terra e as forças externas podem causar a aproximação do cometa Elenin contra a Terra. Quaisquer alinhamentos do cometa Elenin com outros corpos celestes não têm sentido e o cometa não encontrará corpos escuros que poderiam perturbar a sua órbita, nem vai nos influenciar de alguma forma aqui na Terra”, declarou o cientista.

 

Já Morrison, alerta que, “Nós nem sabemos ainda se o cometa Elenin será visível a olho nu. Pelo ritmo atual do cometa, a observação de sua maior aproximação no mês de outubro, exigirá binóculos e um céu muito escuro”, afirmou.

 

Ele complementa que, “Infelizmente, este cometa não fará um grande show. Assim como, certamente, ele não irá causar quaisquer interferências aqui na Terra. No entanto, esse viajante intrépido vai oferecer aos astrônomos a oportunidade rara de estudar um cometa relativamente jovem, vindo de uma região do sistema solar muito além da nossa”, finalizou.

 

O programa Near-Earth Object de observações da Nasa, comumente chamado de “Spaceguard”, é gerenciado pelo JPL e tem por finalidade a descoberta e catalogação de objetos errantes que circulam pelo interior do Sistema Solar.

 

Esse programa também monitora subconjuntos desses corpos (geralmente, rochas brutas), determinando se as suas possíveis trajetórias vão exercer algum perigo em potencial ao nosso planeta.

 

Elenin passará

 

Portanto, antes que os noticiários mais alarmantes dêem conta de futuras catástrofes por conta da aproximação do Elenin, é bom saber que, seguramente, uma barreira composta atualmente por pelo menos 300 milhões de quilômetros distancia o cometa da Terra. E, mesmo quando esta distância for consideravelmente reduzida pela sua aproximação, a Terra se encontrará numa posição distinta ao astro errante.

 

Contudo, fato é que o Elenin deverá cruzar o traçado da órbita terrestre durante sua passagem de entrada rumo ao centro do Sistema Solar e também após a sua saída dos arredores do Sol, no final de 2011, quando o nosso planeta estará em posições adversas à passagem do viajante cósmico.

 

A uma distância ainda incomensurável, atualmente, em condições especiais, o Elenin já pode ser observado de binóculos como uma tênue mancha esbranquiçada no espaço profundo. A partir do final de agosto, o cometa poderá estar visível a olho nu e seu brilho estará semelhante ao de uma estrela fosca com uma pequena cauda.

 

Para ler na íntegra as perguntas do público e as respostas dos cientistas sobre o Elenin, clique aqui para acessar o portal da Nasa.

  

* Pepe Chaves é editor do diário digital Via Fanzine e Rede VF (Brasil).

- Com informações da Nasa e tradução do autor.

 

- Imagem: NASA / JPL-Caltech.

 

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