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OVNIs: objetos terrestres ou ETs?

A Contagem regressiva para o Pentágono disponibilizar seus relatórios sobre OVNIs. O que existe de fato sobre a promessa de desacobertamento dos OVNIs para junho?

 

Por Rafaela Oliveira*

De Fortaleza/CE

Para UFOVIA

11/02/2021

 

 

Em agosto de 2020, o Pentágono reconheceu oficialmente a “Força-tarefa para Fenômenos Não Identificados” (unidentified aerial phenomenon task force).

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Ao final de 2020, um dos últimos atos do governo de Donald Trump foi aprovar o plano orçamentário que definiu, entre outras coisas, os contornos do auxílio emergencial para a população afetada pela pandemia de Covid-19, além de um ato incluso que dá ao Pentágono o tempo de 180 dias, após a aprovação do orçamento, para divulgar relatórios referentes às UAPs (unidentified aerial phenomenon), sigla usada para se referir a fenômenos aéreos não identificados captados por militares estadunidenses em operações secretas.

 

Até onde se sabe, esse material abrange cerca de uma década do que ficou conhecido como “Força-tarefa para Fenômenos Não Identificados” (unidentified aerial phenomenon task force). Nesse relatório devem incluir as análises de informações sobre OVNIs e inteligência colhidos pelo Escritório de Inteligência Naval e pelo FBI. Também é de competência do relatório tratar os detalhes do processo para uma colaboração interagências garantindo uma troca oportuna de informações e análise centralizada de todos os fenômenos aéreos não identificados relatados ao Governo dos Estados Unidos e intitular uma autoridade.

 

No entanto, apesar das comemorações iniciais em torno disso, alguns pontos devem ser explanados para evitar futuras decepções dos mais entusiasmados. Em agosto de 2020, o Pentágono reconheceu oficialmente a força tarefa, porém isso não é nenhuma novidade, provavelmente essa é a continuidade de outra similar a ela conhecida como Programa de Identificação de Ameaças Aeroespaciais Avançadas que foi criada em 2007 pela inteligência dos Estados Unidos encerrada em 2012.

 

Luiz Elizondo.

 

Luiz Elizondo, ex-diretor do programa afirma que isso é só uma forma de o programa passar por um “novo nível de transparência” e que “Não é preciso mais viver nas sombras”. Elizondo é um dos que acreditam que os UAPs não têm origem no planeta Terra e quando os primeiros vídeos dos objetos foram divulgados em 2017, ele imediatamente se tornou uma celebridade no meio ufológico, concedendo diversas entrevistas e palestras sobre o assunto.

 

Sua fama também estava atrelada à instituição de pesquisas fundada por Tom DeLonge, ex-integrante da banda de Rock Blink 182, a To The Stars Academy, que na época contava também com Steve Justice e Christopher Mellon, grandes personalidades da inteligência militar e política dos Estados Unidos. Eles se uniram em prol do “Movimento Desacobertamento” (Disclosure Movement),que se constitui de ações de divulgação e pedidos dentro da Lei de Acesso à Informação para o fim da política de acobertamento em torno de informações sobre OVNIs.  

 

Tom DeLonge

 

O Papel da Imprensa

 

A jornalista Leslie Kean do The New York Times, é integrante desse movimento e uma das responsáveis pela divulgação dos vídeos do Pentágono e de sua Força Tarefa de investigação. Kean, por anos, investigou encontros de militares com OVNIs durante exercícios militares, inclusive, lançando um livro sobre isso (Ovnis - Militares, Pilotos e o Governo Abrem o Jogo, Editora Ideia). Seu artigo Glowing Auras and ‘Black Money’: The Pentagon’s Mysterious U.F.O. Program (Auras brilhantes e "dinheiro sombrio": o misterioso programa sobre OVNIs do Pentágono) lançou luz de que o Governo Estadunidense nunca perdeu o interesse no assunto, desde o Projeto Blue Book e do Relatório Condon, ambos extremamente controversos que nunca deram respostas concretas ao Fenômeno OVNI.

 

Assim como os antigos estudos, o governo alega que em nenhum momento eles estão atrás de provar que os objetos sejam veículos extraterrestres. E que, até uma prova concreta aparecer, os UAPs são apenas “não identificados” e que a preocupação dos Estados Unidos é que eles possam ser alguma arma ou veículo de alta tecnologia de países adversários, tais como China, Irã ou Rússia. Essa mesma resposta também não é novidade, durante os anos de 1940, 50 e 60, quando o governo estadunidense também afastava a possibilidade de que os OVNIs tinham alguma relação com extraterrestres em visita à Terra e enquanto tentava descartar a maioria dos relatos. O medo e a paranoia anticomunista os faziam temer que a União Soviética tivesse desenvolvido alguma aeronave ultramoderna.

 

Leslie Kean.

 

O Papel de Marco Rubio

 

Esse temor parece que nunca deixou de existir e, até o momento, segundo os posicionamentos oficiais, é o que supostamente motiva investigações mais aprofundadas sobre esse UAPs. Marco Rubio, senador pelo partido Republicano e lider do Comitê de Inteligência do Senado dos Estados Unidos foi o responsável por pedir que os relatórios sobre as investigações fossem apresentados ao Senado. Ele alertou que essa é uma questão preocupante, pois, nos últimos anos, a comunidade da Inteligência não passou informações suficientes sobre o assunto aos líderes políticos para que eles pudessem dar a atenção que o tema merecia.

 

Rubio, em diversas entrevistas, corrobora a preocupação de que os objetos sejam aeronaves ultramodernas de países estrangeiros e não entende porquê um programa de investigação como o do Pentágono teve que ficar nas sombras por tantos anos. Ele diz ainda que o melhor cenário para esses objetos voadores não identificados é que eles sejam, de fato, veículos extraterrestres e que caso se confirme que na verdade são drones espiões de países inimigos que estejam sobrevoando bases nucleares ou espionando exercícios militares em território norte-americano, que isso se caracterizaria num ato de guerra.

 

Contudo, as próprias expectativas de Marco Rubio podem ser frustradas antecipadamente, já que o fornecimento dos relatórios sobre os UAPs não é uma lei vinculativa. Então, não existe nenhuma garantia de que o público irá receber alguma informação completa sobre o assunto. Também existe a possibilidade de que a Força-tarefa UAPs considere que tais informações sejam de caráter sigiloso e o poder legislativo não tem autoridade para desclassificá-las para o público. Além de tudo isso, ainda existe a incerteza quanto aos rumos que a nova administração de Joe Biden irá tomar com relação a esse assunto.

 

Marco Rubio

 

O outro lado da cortina de fumaça

 

Uma das matérias publicadas no The New York Times cita um pequeno grupo de funcionários do governo e cientistas crentes que objetos de "origem indeterminada" caíram na Terra e foram recuperados. Estaria incluso nesse grupo o ex-senador Harry Reid. Embora alguns tenham sido materiais feitos pelo homem, há dúvidas com relação a outros casos. A publicação cita Eric W. Davis, um astrofísico que trabalhou como subcontratado e consultor para o programa UAPs do Pentágono. Davis, que agora trabalha para a empreiteira de defesa Aerospace Corporation, disse que também fez relatórios sobre a recuperação de objetos inexplicáveis, para membros da equipe do Comitê de Serviços Armados do Senado e do Comitê de Inteligência do Senado, em 21 e 23 de outubro de 2019, respectivamente, acrescentou o Times.

 

“Como dissemos anteriormente, o Departamento de Defesa e todos os departamentos militares levam muito a sério quaisquer incursões de aeronaves não autorizadas em nossos campos de treinamento ou espaço aéreo designado e examina cada relatório”, disse um porta-voz do Departamento de Defesa à Fox News, via e-mail. “Isso inclui exames de incursões que são inicialmente relatadas como 'fenômenos aéreos não identificados' (UAP), quando o observador não pode identificar imediatamente o que está observando.”

 

O Departamento de Defesa não discute publicamente os detalhes das observações ou do exame das incursões relatadas em seus campos de treinamento ou espaço aéreo designado, incluindo incursões inicialmente designadas como UAP.

 

“Em relação à força-tarefa mencionada no artigo, posso dizer que o departamento está criando uma força-tarefa para obter conhecimento e visão sobre a natureza e as origens dos UAPs, bem como suas operações, capacidades, desempenho e/ou assinaturas. A missão da força-tarefa será detectar, analisar, catalogar, consolidar e explorar veículos aeroespaciais / UAPs não tradicionais que representam uma ameaça operacional à segurança nacional dos EUA e evitar surpresas estratégicas”, afirmou a jornalista Leslie Kean.

 

Uma luz no fim do túnel?

 

Os artigos do The New York Times expondo toda essa força-tarefa e suas implicações foram, sem sombra de dúvidas, uma enorme sacudida na comunidade ufológica mundial e mostraram que o interesse no assunto sempre esteve vivo dentro das esferas militares e de inteligência. Esperamos que mais novidades sobre esse assunto surjam e que o Pentágono cumpra sua promessa de liberar os relatórios sobre os UAPs para o Congresso e os disponibilize publicamente.

 

No entanto, diante do histórico de segredos e desconfianças que são parte da história dos Estados Unidos com relação aos seus segredos e estratégias militares, ainda existe muito pessimismo em torno da revelação desses relatórios. Recentemente, a CIA liberou uma grande quantidade de documentos sobre OVNIs na internet, muitos com várias informações censuradas por tarjas pretas e dos quais ninguém sabe se são documentos que a CIA achou útil liberar ou se outras informações mais sensíveis e contundentes se encontram com acesso restrito, sem qualquer explicação sobre o porquê de tanto segredo.

 

O Processo de “Desacobertamento” do Fenômeno OVNI é um desejo de décadas da comunidade ufológica mundial, significaria a confirmação de tudo o que se tem pesquisado e testemunhado por milhões de pessoas ao redor do mundo e também seria a oportunidade que a Sociedade e a classe científica teriam de estudar e, talvez, entender o Fenômeno. Por enquanto, as informações estão vindo em doses homeopáticas, mas já é um começo.

 

O acesso à liberdade de informação é um direito de todas populações, esse por si só, já seria motivo suficiente para que fossem liberadas as informações referentes ao assunto, já que, segundo o próprio governo estadunidense disse certa vez, os OVNIs “não existem”, então, não faria sentido ocultar informações sobre eles.

 

* Rafaela Oliveira é pesquisadora do fenômeno OVNI, articulista e colaboradora dos portais UFOVIA e Via Fanzine em Fortaleza/CE.

 

- Imagens: divulgação.

 

- Fontes de consulta:

 

With Pentagon UFO unit in the spotlight, report mentions 'off-world vehicles not made on this earth'.

Disponível aqui.

Acesso em 02/02/2021

 

Governo dos EUA tem 180 dias para compartilhar o que sabe sobre OVNIs.

Disponível aqui.

Acesso em 02/02/2021

 

UAP Task Force to Provide Report to Senate Intelligence Committee.

Disponível aqui.

 

- Produção: Pepe Chaves.
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