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Entrevista

Especial:

Entrevista com Gustavo Dourado

Poeta, escritor e presidente da Academia de Letras de Taguatinga.

 

Por Pepe Chaves

Para Via Fanzine

BH-07/07/2015

 

Gustavo Dourado.

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Gustavo Dourado, 55 anos, nasceu em Recife dos Cardosos - Ibititá - Chapada Diamantina - Bahia, em 18 de maio de 1960. Em 1975 foi morar em Brasília, onde vive e realiza os seus trabalhos. Publicou 15 livros de sua autoria em edição gráfica offset e editou centenas de folhetos virtuais e digitais na internet, www.gustavodourado.com.br com destaque para as biografias e críticas ao cotidiano e à realidade presente. Escreveu entre outros o Cordel da Ufologia, Cordel do Apocalipse, Cordel do Armagedom, ABC de Vladimir Carvalho, Brasília 5.0 Antologia dde Cordel e Cordelos - Antologia de Cordel.  É escritor, poeta, cordelista, pesquisador, professor, produtor cultural e de eventos, animador e jornalista cultural, redator, crítico de arte, gestor público, apresentador. Escreveu e publicou em livros, em entre outros, ABC de Vladimir Carvalho, Brasília 5.0 Antologia de Cordel, Phalábora, Tupynambarbárie, Linguátomo e Cordelos - Antologia de Cordel. A partir de 1995, publicou na internet o Cordel da Ufologia, Cordel do Apocalipse, Cordel do Armagedom e milhares de textos e poemas em cordel em portais como Unesco, Facebook, Via Fanzine, Twitter, Google Plus, Wikipedia, Youtube, Yale University, Instagram, Blogger, Mp3, Wordpress, Linkedin, Blogspot, My Space, Academia.edu, Gutenberg, Page Insider,  Poem Hunter,  Dream Magic,  Web Poetry, Daily Motion, Poetry Soup, Yasni, Quickwiki, Dihitt, Mashpedia, Cassiopaea, Scribd, Uol, Pucsp, Triplov(colunista), Cultura Alternativa(colaborador), Cronópios (colunista), Jornal de Poesia, Usina de Letras, Dzai/Correio Braziliense, Blocos, Unigranrio, Carnaxé, Garganta da Serpente, Nordesteweb, Overmundo, Literal, Germina, Luís Nassif, Café História, Luiz Berto, Telescópio, Cerrado Cultural, Recanto das Letras, O Melhor da Web, Toninho de Souza, Socex, BNB, Ricardo Noblat, Ary Fontoura,  Gosto de Ler, Construir Notícias, Pra Ler, AVSPE, entre outros diversos sites, blogs e páginas nas redes sociais. Sua obra tem sido  objeto de teses de mestrado e de doutorado em universidades europeias, americanas e asiáticas, além de várias universidades e faculdades brasileiras. É casado com a jornalista e escritora Maria Félix Fontele Dourado e pai dos cineastas e escritores Yon Ferreira Dourado, Gustavo Fontele Dourado e Elias  Fontele Dourado.

 

Via Fanzine – Caro Gustavo Dourado, quando e como se deu o seu gosto pela escrita e leitura?

Gustavo Dourado – O meu gosto pela literatura, a escrita e a leitura teve início aos três anos de idade, primeiro pela influência oral de minha família, meu pai, Ulisses Marques Dourado e minha mãe, Edelzuíta de Castro Dourado, os dois, apreciadores de causos e histórias, parlendas, anedotas, adivinhas, contos e cantos, advindos da forte presença da cultura oral e do romanceiro popular, muito presente e marcante nos inícios dos anos 60, no interior sertanejo da Chapada Diamantina. Não havia energia elétrica, as pessoas se reuniam nos terreiros das casas para contar suas experiências de vida e reviver as suas fantasias. Havia também os encontros nas roças e nos empórios sertanejos, conhecidos por vendas, era um universo muito rico e que despertava o medo e a aventura em um cenário sertânico, bíblico, apocalíptico, cósmico, desafiador.

 

Via Fanzine – Por favor, nos conte um pouco sobre o seu contato com a literatura em seu povoado natal, Recife dos Cardosos, Ibititá no interior da Bahia.

Gustavo Dourado – Além da cultura oral, causos, contos e histórias, a literatura escrita era uma raridade, não havia jornais, revistas e livros quase não existiam. O máximo que alguém conseguia ter em casa era a Bíblia Sagrada, os almanaques, os catecismos e os folhetos de cordel, mais conhecidos como abecês e romances, que eram comprados nas feiras de Irecê, Ibititá, Lapão etc. Eu lia muito as bulas de remédios e me lembro da palavra dimetilamenofenildimetilpirazolana, que constava da bula da Cibalena.  As palavras eram soletradas e uma vez, aos três anos, ainda de consolo, soletrei a palavra questionário, estava de passagem na aula do professor Dionísio Maia, o que foi um espanto na sala de aula, pois, entre os mais de 40 alunos, ninguém soube soletrar o termo proposto e foi um grande frisson, de um menino de três anos ter acertado soletrar aquela palavra estranha. O fato criou uma espécie de lenda na região, trazendo ao local um padre italiano que veio arguir o menino que improvisava, recitava e inventava palavras, sem nunca ter ido à escola. O padre fez várias perguntas ao menino, sobre Bíblia, catecismos, ciência, história e geografia, sendo que o menino respondeu a todas as perguntas sem nenhum vacilo, o fato gerou uma peregrinação ao local, de curiosos, viajantes, professores e religiosos da região e de algures, que gostavam de ver o menino ler a Bíblia e os folhetos de cordel, com suas histórias de dragões, reis, rainhas, condes e seres mitológicos. Era forte a presença de trabalhadores migrantes nordestinos, que vinham, sobretudo de Pernambuco e da Paraíba para o plantio de feijão, milho, mamona, que era forte na Região de Irecê à época. Esses migrantes traziam a cultura oral, as histórias do cangaço, de Lampião, Corisco, Antônio Silvino, Padre Cícero, que se mesclavam com as histórias dos revoltosos da Coluna Prestes, do coronelismo regional, do coronel Horácio de Matos, Militão Coelho e Manuel Quirino, era um romanceiro extraordinário que nos alimentava a fantasia no deserto do Sertão de tão poucas veredas, mas de muitas histórias e imaginação.

 

Via Fanzine – O que o levou a residir em Brasília e como o senhor vê esta cidade?

Gustavo Dourado – Vim para Brasília num lance de mágica, foi algo sobrenatural, até hoje não sei explicar direito como isso aconteceu de fato, creio que tenha sido coisa do destino. Terminei o Ginásio Polivalente em Irecê, cidade mais importante da região, em dezembro de 1975, e em poucos dias já estava em Brasília, conduzido por parentes, na companhia de ônibus Paraíso, que circulava pela BR 20, boa parte ainda em estrada de terra e sem asfalto, foi uma aventura. Logo em seguida, ingressei por concurso no Colégio Agrícola de Brasília, fixando moradia lá por três anos, com dedicação exclusiva aos estudos de Agropecuária e leituras ocasionais de romances e poesia. Brasília para mim é uma cidade diferente, mágica e contraditória, cidade complexa, onde a solidão é muito forte, com grande individualidade, as pessoas demoram a se conhecer, mesmo sendo vizinhas, é um local de arquitetura ímpar, de muitos subterrâneos, mas ao mesmo tempo de um céu amplo e radiante, de um horizonte monumental. Gosto do espaço de Brasília, a mistura de sua gente de todos os lugares, não gosto da politicagem e da corrupção feita nos conchavos e bastidores dos três poderes e da mídia seletiva e segregacionista, gosto muito de ver o povo nas quadras e avenidas, em Taguatinga, na Ceilândia, em Samambaia, no Gama, Sobradinho, Planaltina, Paranoá, nas feiras, no Metrô e na Rodoviária.

 

Via Fanzine – Nos fale um pouco das atividades da Academia Taguatinguense de Letras, entidade que o senhor preside.

Gustavo Dourado – A Academia Taguatinguense de Letras, tornou-se Patrimônio Cultural, Material e Imaterial do Distrito Federal, com o tombamento pela Lei 5159/13, agora em minha gestão 2011/2015, tem-se ampliado o seu espaço, inauguramos um conjunto de pequenas salas, onde antes funcionou  uma clínica médica particular, com fins comercias, por muitos anos. Lá agora está ativa a Biblioteca Poeta Leão Sombra do Norte Fontes, com mais de sete mil livros de escritores do DF, clássicos brasileiros e universais, centenas de revistas literárias e antologias poéticas e enciclopédias para pesquisa. Informatizamos as salas da diretoria, criamos um pequeno auditório para eventos, saraus, palestras, reuniões, debates e lançamentos de livros dos acadêmicos e convidados, tudo feito às nossas expensas, sem qualquer apoio financeiro público  ou  privado. Outra novidade é a Sala de Cordel  com atividades para os alunos da SEDF, da EIT e da Casa Azul, a Sala da Mulher e a Sala da Cultura e um espaço dedicado à memória da cidade e da Academia. Participamos constantemente de encontros, feiras, palestras e debates em espaços  culturais, bibliotecas, escolas e faculdades, além de saraus e recitais em residências em todo o DF. Sempre somos convidados para eventos importantes como a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, bienais e  feiras de livros, seminários, simpósios e encontros diversos. Vamos continuar com várias atividades  internas e divulgar nossos escritores nas escolas  públicas e particulares do DF, sempre em  interação com  os  jovens, estudantes, professores, pesquisadores, idosos, minorias e a comunidade do DF, com  interação constante com as diversas  linguagens artísticas e em integração permanente com a educação.

 

Via Fanzine – De onde vem a inspiração na hora de compor seus versos e poemas?

Gustavo Dourado – Sempre escrevo com a minha  inspiração habitual, que vem do alto, da mente, do cosmo, da natureza e com a transpiração essencial, com muita pesquisa e leitura dos grandes mestres, escritores, filósofos, pensadores, poetas de todas as tendências. A técnica é do esforço permanente, que mistura inspiração e transpiração. É o meu caminho...

 

A Academia Taguatinguense de Letras é presidida por Gustavo Dourado.

 

Via Fanzine – O seu trabalho com a literatura de cordel hoje é referência no Brasil e no mundo, tendo recebido, inclusive, prêmios. Conte-nos um pouco de seu envolvimento com esse estilo literário e das influências recebidas por sua obra.

Gustavo Dourado – Desde menino, ainda em Recife dos Cardosos, tomei contato com a poesia oral e a literatura de cordel. Fui influenciado pelos poetas cordelistas Leandro Gomes de Barros, Silvino Pirauá de Lima, Francisco das Chagas Batista, João Martins de Athayde, Rodolfo Coelho Cavalcante, José Camelo de Melo Rezende, Manoel Monteiro, Franklin Machado, Paulo Nunes Batista, Apolônio Alves dos Santos, Elias Carvalho, Expedito Sebastião da Silva, José Pacheco, Firmino Teixeira do Amaral, Gonçalo Ferreira da Silva, Francisco Sales Areda, Joaquim Batista de Sena, Raimundo Santa Helena, João José da Silva, José João dos Santos, o Mestre Azulão, Manuel d´Almeida Filho, Cuíca de Santo Amaro, Patativa do Assaré, Minelvino Francisco da Silva, José Costa Leite, Manuel Camilo dos Santos, João Ferreira de Lima, João Melchíades Ferreira, Severino Milanês, Severino Borges, Antônio Batista Guedes, Delarme Monteiro, Caetano Cosme da Silva, Manoel Pereira Sobrinho, Manoel Caboclo e Silva, José Soares, Zé da Luz e João Lucas Evangelista e por cantadores repentistas como Zé de Duquinha, Bule Bule, Aderaldo Ferreira Araújo, o Cego Aderaldo, Otacílio Batista, Lourival Batista, Dimas Batista, Pinto do Monteiro, Ivanildo Vila Nova, Oliveira de Panelas, Inácio da Catingueira, Romano do Teixeira, Romano Caluete, Ugolino Nunes da Costa, Fabião das Queimadas, além dos grandes romancistas como Machado de Assis, Guimarães Rosa, Ariano Suassuna, James Joyce, Cervantes, José Saramago, Jorge Amado, Clarice Lispector, Júlio Verne, além de nossos poetas Gregório de Matos, Castro Alves, Gonçalves Dias, Augusto dos Anjos, Cruz e Sousa, João Cabral de Mello Neto, Manuel Bandeira, Vinícius de Moraes, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Jorge de Lima, Murilo Mendes, Patativa do Assaré, Cora Coralina, Leandro Gomes de Barros, Cecília Meireles, Adélia Prado, Haroldo de Campos, Torquato Neto, Paulo Leminski,  Ferreira Gullar, além de  poetas estrangeiros como Maiakóviski Rimbaud, Baudelaire, Mallarmé, Neruda, Apollinaire, Shakespeare, e criadores compositores da MPB, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Fernando Brant, Geraldo Vandré, Dorival Caymmi, Zé Ramalho, Jorge Mautner, mestres da música e da poesia. 

 

Via Fanzine – Como o senhor vê o mercado literário brasileiro, com relação ao acesso dos leitores às obras mais contemporâneas lançadas em nosso país e no mundo?

Gustavo Dourado – Uma dificuldade extrema, devido ao alto preço dos livros e a escassez de livrarias e biblioteca públicas, principalmente nas pequenas cidades e  no  interior do Brasil. Falta uma política pública de  incentivo e de acesso ao  livro e à leitura. Muita promessa e burocracia e poucas ações concretas por parte da oficialidade e dos órgãos governamentais. Poderiam retomar iniciativas importantes como o Instituto Nacional do Livro e o Instituto Estadual do Livro. Torna-se necessário a criação de uma rede de bibliotecas públicas funcionais, modernas e de fácil acesso para os leitores, jovens e estudantes, o que se vê é o contrário, uma  política contra a cultura, com o fechamento de espaços culturais, de museus e de importantes bibliotecas, como a Biblioteca Demonstrativa de Brasília, que  inexplicavelmente está desativada, enquanto isso a corrupção campeia apocalíptica pelo espaço deixado pela  ignorância e pela falta de informação. Ninguém quer que o povo leia, povo que pensa deixa o governo mais responsável com a coisa pública, então, é por  isso que não querem que o povo leia, para que seja manipulado e dominado pela mídia e  pelos donos do poder.

 

Gustavo Dourado e a jornalista Maria Félix Fontel, sua esposa.

 

Via Fanzine – O senhor é autor do conhecido “Cordel da Ufologia Brasileira”, que contou com a colaboração do ufólogo paulista Mário Rangel. O que o senhor pode nos dizer dessa extensa obra, que reúne mais de uma centena de nomes de ufólogos de todo o Brasil?

Gustavo Dourado – É uma verdadeira epopeia da ufologia no Brasil, trabalho extenso e histórico, que contou com a consultoria de Pepe Chaves e Mário Rangel, onde fiz em versos, uma intensa pesquisa dos principais relatos da casuística ufológica conhecida no Brasil, precisa ser atualizada de forma constante, pois a cada dia novos casos são revelados, existem muitos segredos que precisam ser desvelados, para que o público seja melhor informado sobre a questão dos Ufos.

 

Via Fanzine – Para o senhor, o advento da popularização da internet tem colaborado para que haja menos leitores? Como o senhor vê a ascensão do modelo digital sobre os trabalhos impressos?

Gustavo Dourado – A literatura impressa em livros gráficos pode  muito bem  conviver com a  literatura digital,  é  o mesmo caso dos discos em vinil e dos cds e dvds, há espaço para todos, quanto mais livros impressos melhor, o que não impede que se tenha também um bom acesso pela internet, celular e mídias digitais, dá para fazer muito bem uma integração e interação com as diversas  linguagens, o que falta é  prioridade dos governos pela valorização do livro e da leitura e de nossa literatura brasileira.

 

Via Fanzine – Com raras exceções, em todo o Brasil os escritores, poetas e ensaístas têm recebido muito pouco estímulo, tanto por parte do público, quanto das autoridades que raramente incentivam alguns talentos. Para o senhor, o que poderia mudar no sentido de haver mais valorização da literatura em nosso país?

Gustavo Dourado – Investimento em programas culturais, com a valorização da cultura brasileira, programas de incentivo ao estudo e à pesquisa, construção de bibliotecas de qualidade e bem aparelhadas em todos os municípios  brasileiros, priorizar a educação, a cultura, os valores da ética, da cidadania e da ecologia. Poderia melhorar com  o estabelecimento de  uma  política  pública efetiva  para o livro e a  leitura, com  o incentivo à editoração, edição,  publicação, distribuição, comercialização e divulgação dos livros dos autores brasileiros, apoio aos concursos  literários, incentivo aos  jovens para a leitura;  valorização e incentivo financeiro, com convênios e termos de  cooperação para o bom funcionamento das academia de letras, palestras, debates, seminários, conferências e lançamentos de livros dos escritores nas escolas, criação do Instituto do Livro, programa Literatura nas Escolas, Poesia nos ônibus, Poesia no Metrô e no BRT, Encontro com a Palavra, literatura nos parques, nas feiras e  nos  shoppings, apoio e valorização das  literaturas regionais, do folclore, da literatura de cordel, do repente e da cantoria, incentivo às pequenas  livrarias e editoras, efetivação das academias de letras nos espaços culturais, apoio e valorização aos saraus literários, prêmios de redação para os alunos da Rede Pública.

 

Via Fanzine – O senhor poderia compor um cordel com 21 orações dedicado aos nossos leitores, neste ano, em que Via Fanzine completa 21 anos?

Gustavo Dourado – Com certeza, com todo prazer e admiração que dedico ao Via Fanzine, um dos baluartes do bom jornalismo independente feito no Brasil.

 

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Via Fanzine – Prezado Gustavo Dourado, nós agradecemos pela homenagem e por sua entrevista, pedimos que nos deixe as suas considerações finais.

Gustavo Dourado – Agradeço ao editor Pepe Chaves e ao Via Fanzine a oportunidade da entrevista. Convido os leitores e leitoras para uma leitura de um cordel que fiz em homenagem ao mestre da linguagem, João Guimarães Rosa.

 

* Pepe Chaves é editor do diário digital Via Fanzine e da ZINESFERA.

 

- Imagens: Acervo Gustavo Dourado.

 

- Produção: Pepe Chaves.

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