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Estação Lunar

 

Colonização da Lua:

A realidade da Estação Lunar

Habitar a Lua ainda é uma pretensão fora de alcance,

mesmo com a recente afirmação dos EUA de que o fará em breve.

 

Por Pepe Chaves*

De Belo Horizonte-MG

Via Fanzine

26/08/2016

 

Concepção artística de uma futurista base lunar, ao fundo, a Terra.

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A afirmação da Nasa em 2007 de construir uma base lunar (veja abaixo, de The Washington Post), viria restaurar o sonho da conquista espacial norte-americana, rompido após as explosões de duas de suas espaçonaves tripuladas, os ônibus espaciais Challenger e Columbia, em diferentes ocasiões. De 1969 a 1972 o Projeto Apollo levou o homem ao solo lunar e desde então, o satélite terrestre nunca mais recebeu a visita humana.

 

Único país a colocar homens para pisar na Lua, os EUA não desejam perder "terreno lunar" para outros países e, para tanto, está sempre a articular projetos e estudos para a efetivação da volta do homem à Lua. A colonização lunar representa na Terra, antes de tudo, ascensão científico-tecnológica e supremacia nacional. Por isso, atualmente, não mais somente os EUA, desejam aplicar fora da Terra recursos exorbitantes para a exploração e a "conquista" da Lua.

 

Não somente ações de estratégia ou a simples afirmação de poderio tecnológico leva um país a aplicar pesquisas e recursos na exploração lunar. É sabido que o nosso satélite natural guarda em seu subsolo diversos minerais em composições distintas da maioria existente na Terra. Certamente, o subsolo lunar poderá guardar diversas fontes de riquezas minerais e, talvez, até mesmo jazidas que possam garantir a sobrevivência ao homem da Terra em tempo futuro.

 

Base Norte-americana

 

Em constantes declarações à imprensa e também em seu site, a Nasa e o governo dos EUA faz ventilar interesses na construção de uma base lunar que possa vir a dar suporte aos astronautas em suas missões espaciais. A declaração jogou água na fogueira de outros países, como a China (considerada a nova superpotência tecnológica mundial e nova sensação do “clube espacial”) que também tem “anseios lunares”, bem como a própria União Europeia (UE) que já desenvolve (em consórcio internacional da Agência Espacial Europeia - ESA) diversos projetos voltados à exploração espacial da Lua, inclusive, o lançamento da sua sonda espacial SMART-1, que esteve em atividade na órbita lunar.

 

Nos EUA, o próprio presidente Bush informou em 2004, acerca de investimentos lunares, inclusive, declarou sobre a construção de uma espaçonave que faça o trajeto Terra-Lua-Terra eficientemente e viabilize a construção de uma estação fixa no satélite terrestre. Contudo, apesar das diversas informações que a ciência detém a respeito da Lua, ainda existem muitos aspectos desconhecidos que podem implicar diretamente no fato da permanência humana naquele inóspito ambiente.

 

 

Discrepâncias

 

No entanto, o que separa a afirmação de um líder de Estado da realidade cientifica espacial disponível em tempos atuais pode soar como um abismo de impossibilidades, de proporções gigantescas, dentro do "tempo-espaço" a que estamos inseridos.

 

Portanto, existem diversos obstáculos que impedem a presença humana em solo lunar, dentro dos moldes em que ela se encontra na Terra. Alguns deles são:

 

- A superfície lunar recebe fortes descargas radioativas do sol e do espaço aberto, as quais contêm elementos letais à espécie humana;

 

- O fato de o satélite não possuir uma atmosfera (como a Terra) que "filtre" as emissões de raios solares implica em problemas diversos para a vida animal na Lua, pois não há como sobreviver sem trajes especiais naquele ambiente agressivo;

 

- Também a falta de oxigênio natural obrigaria o constante uso de trajes adaptados para se deslocar na superfície lunar, além de um considerável estoque artificial desse elemento para uso das tripulações;

 

- A superfície lunar é bombardeada constantemente por "tiros" de meteoritos e pedregulhos em dimensões e proporções diversas - já que não possui atmosfera (como a Terra) para dissolvê-los antes de atingirem a superfície;

 

- A baixa gravidade lunar (seis vezes menor que a da Terra), também é um agravante e, decerto, afetaria o funcionamento de diversos órgãos do corpo humano dentro de pouco tempo; entre outros obstáculos.

 

Para contornar problemas gravitacionais, é que as bases lunares se mostram interessantes: haveria ambientes lacrados [veja ilustração no topo dessa matéria] com gravidade artificial simulada. As condições do interior de cada módulo habitacional seriam totalmente “calibradas” às condições terrestres. Ou seja, criar-se-ia um ambiente onde a gravidade, temperatura, oxigênio e pressão seriam manipulados em seus parâmetros terrestres - exatamente como mostram alguns filmes de ficção, onde seres humanos convivem em estações extraterrestres ou dentro de espaçonaves, andando e não flutuando, já que deveria haver ausência ou o mínimo possível de gravidade nestes locais.

 

 

A base lunar Alpha, do seriado Espaço 1999 - na ficção científica a lua

 vagava pelo espaço sideral já que foi deslocada da órbita terrestre

por uma explosão nuclear. No seriado os habitantes da base Alpha

 aprendem a conviver com as dificuldades do ambiente lunar.

 

Subsistência

 

Devemos assinalar também que, dos fatores essenciais para a permanência humana no mundo lunar seria a presença natural de água naquele ambiente. Esta possibilidade é alta, segundo os cientistas, porém ainda não foi confirmada precisamente. Caso houvesse uma forma de manipular a água lunar, um grande problema para a sua colonização seria contornado. Com água no satélite, poder-se-ia criar culturas em estufas para consumo próprio dos astronautas. Isso já facilitaria muito as coisas por lá, além de criar uma significativa subsistência em relação a Terra.

 

Um avançado posto de pesquisa lunar, a serviço de diversos projetos terrestres, seria uma conquista para a humanidade como um todo, no bom sentido da exploração e da pesquisa espaciais raciocinadas. Da Lua, seriam colhidos dados que, por motivos diversos, não têm condições de serem colhidos com a devida isenção a partir da Terra.

 

Atrasos 

 

O sonho de colonizar a Lua e construir no satélite uma base para comportar seres humanos, não é novidade e quem sabe, já poderia ser fato na contemporaneidade (ou se estar mais próximo disso), não fossem os dois acidentes fatais com as espaçonaves Challenger (1987) e Columbia (2003), que vitimou suas tripulações e jogou um balde de água gelada na praticidade das viagens espaciais nestes veículos da Nasa. Os projetos espaciais tiveram uma forte “freada” logo após estes acidentes e a conquista espacial americana, certamente, passou a sofrer atrasos a partir daí.

 

Apesar de continuar recebendo altas cifras do orçamento federal, os projetos espaciais dos EUA (sobretudo, para viagens tripuladas) sofreram acentuadas quedas imediatamente após cada um destes citados acidentes que, de certa forma, ainda refletem na atualidade.

 

Águia: veiculo de transporte da base Alpha.

 

Hollywood

 

Em 1973 foi produzido por Hollywood uma das obras primas sobre o tema “base lunar” e ainda hoje, considerado uma legenda da sci-fi. O seriado “Espaço 1999” (Space 1999, Carlton Vídeo), de Gerry Anderson e Lew Classe, mostrava uma base lunar no ano de 1999. Era a base lunar Alpha, instalada na Lua por norte-americanos que conseguiram remontar em seu interior um ambiente idêntico ao terrestre. Porém, no seriado, havia um agravante, pois a Lua estava fora da órbita terrestre e seus habitantes perderam o contato com o planeta. O deslocamento lunar teria ocorrido, devido a explosão de uma bomba nuclear que afastou o satélite terrestre e o fez navegar pelo espaço à deriva.

 

“Espaço 1999”, estrelado por Martin Landau e Barbara Bain trouxe em 24 episódios detalhes da vida numa colônia lunar, com seus personagens sobrevivendo numa situação completamente autônoma ao planeta Terra. O comandante John Koenig (Landau) ao lado da doutora Helen Russel (Bain) procuravam dar o melhor destino às diversas aventuras que a base lunar Alpha passara na superfície do pequeno e agora astro errante.

 

A tripulação da Alpha utilizava-se de veículos espaciais bastante limitados, chamados de Águias, inclusive, estes veículos (que estariam no ano de 1999) guardavam bastante semelhança com os pré-históricos módulos lunares utilizados pela Missão Apollo no início dos anos de 1970 – em tempo real, a missão da Nasa foi finalizada pela Nasa pouco antes da produção da Carlton Video.

 

Durante os 24 episódios, a base Alpha, instalada na Lua (que então vagava pelo espaço sem rumo), enfrentou intempéries diversas em sua jornada sideral. Além dos protagonistas, mais seis atores integravam o elenco original do seriado, compondo a tripulação da base Alpha que, diferentemente de outras produções (que mesclavam membros de múltiplas nacionalidades) era composta somente por norte-americanos.

 

Mas, saindo do "mundo da lua" e voltando à realidade, econômica e tecnologicamente falando, infelizmente, a viabilidade para a construção de uma estação lunar é praticamente nula para os dias atuais e mesmo para os próximos anos. Destarte, acreditamos que afirmações contemporâneas acerca da criação de bases lunares podem ser somente blefe político ou tão somente tentativa de autoafirmação por supremacia nacional. Na realidade, diversos obstáculos ainda precisam ser transpostos para que uma base lunar se torne realidade e venha ter retorno prático que justifique as altas cifras que devem ser empregadas na sua construção.

 

Se atualmente a própria Estação Espacial Internacional (ISS), que emprega esforços econômicos e tecnológicos de 15 desenvolvidos países, anda a passos de tartaruga, como seria possível um único país construir uma complexa estação lunar que comporte a vida humana nos próximos anos?

 

* Pepe Chaves é editor de Via Fanzine e da ZINESFERA.

- Esta matéria originalmente composta em junho de 2007 foi revisada e atualizada em agosto de 2016.

 

- Ilustrações: "Lunar Base" e "On the Moon", ambas por Kagaya / Espaço 1999/divulgação.

 

Houston:

EUA querem ter base na Lua

Norte-americanos estiveram pela última vez no satélite em 1972.

 

Guy Gugliotta para

The Washington Post

 

A conquista da lua exigirá a presença humana em sua superfície.

 

Pela primeira vez desde 1972, os Estados Unidos estão planejando um vôo à Lua. Mas, em vez de uma visita rápida como as do projeto Apollo, a idéia é construir uma base permanente para astronautas, como preparação ao que pode ser o empreendimento mais ambicioso da História - enviar seres humanos a Marte.

 

Em 2004, o presidente Bush anunciou, com grande estardalhaço, planos para construir uma nova espaçonave, voltar à Lua em 2020 e viajar de lá a Marte depois disso. Apesar dos problemas da Nasa, os planejadores delinearão dentro de seis meses o que será preciso no novo veículo para que astronautas possam explorar a superfície lunar.

 

A Lua não é para estômagos fracos. É um lugar letal, sem atmosfera, bombardeado constantemente por raios cósmicos e micrometeoritos, castigado por uma temperatura que varia centenas de graus e coberto por um lençol de poeira que pode arruinar trajes espaciais, poluir o suprimento de ar e se incrustar em máquinas, paralisando-as.

 

E isso sem falar do imponderável. Trabalhar em um sexto da gravidade da Terra durante um ano não poderá causar problemas graves de saúde? O que aconteceria se alguém sofresse um ferimento traumático que não pudesse ser tratado por um colega astronauta? Como as pessoas reagiriam vivendo num espaço minúsculo em condições perigosas durante seis meses? "Muitas patologias se apresentam, e não há ninguém nas Páginas Amarelas", diz Wendell Mendell, diretor do Departamento para Ciência da Exploração Humana da Nasa.

 

POUCA ÁGUA, MUITA POEIRA - De certo modo, a Lua será mais difícil do que Marte. A poeira da Lua é mais abrasiva; Marte tem atmosfera; Marte tem mais gravidade (um terço da gravidade da Terra); Marte tem muito gelo para um potencial suprimento de água, ao passo que a Lua pode ter água, mas provavelmente não muito.

 

Mesmo assim, a Lua fica muito mais perto - 400 mil quilômetros de distância, enquanto Marte fica a 54,4 milhões de quilômetros. Se alguém precisar de ajuda na Lua, pode-se chegar lá em apenas três dias. Marte, por sua vez, estará a muitos meses de distância, mesmo com a ajuda de sistemas de propulsão avançados - que ainda não existem.

 

A distância é uma das razões para a Lua integrar a iniciativa de Bush. A outra é que, se os Estados Unidos não voltarem lá, outros o farão. "A novidade é a China, e eles anunciaram que irão à Lua. Os europeus querem ir; os russos querem ir", diz o presidente do Mars Institute, Pascal Lee. "Será que poderíamos contornar a Lua e ir para Marte enquanto a Índia e a China vão à Lua? Não creio."

 

* Fonte: Estadão.

 

- Ilustração: "Full Moon", por Kagaya.

 

- Produção: Pepe Chaves.

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