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 Astronáutica

 

Aguardando os lançamentos:

Superstições astronáuticas*

Fazer xixi sobre o pneu traseiro de um ônibus e jogar pôquer antes dos lançamentos espaciais,

estas são algumas das superstições de cosmonautas e astronautas antes de irem ao espaço.

 

Antes de seguir seu destino lá fora, os viajantes espaciais russos e americanos

cumprem certos rituais, tradições ou mesmo superstições.

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Imagine que você seja um astronauta e o dia do lançamento de seu primeiro voo espacial chegou. Anos de intenso estudo e de formação culminaram nesse momento. Você está adequado e pronto para seguir. Em poucos minutos, você estará atrelado a uma nave espacial que explodirá rumo ao cosmos. Então, como você gastaria esses preciosos momentos finais na Terra?

 

Se você for um astronauta dos EUA, provavelmente vai jogar uma partida de pôquer. Mas se você for um cosmonauta russo, você vai ser condenado a fazer xixi no pneu traseiro direito de um ônibus.

 

É tudo tradição.

 

Tradições americanas

 

Tais rituais em lançamentos, muitos dos quais prestam homenagens ao comportamento de pioneiros dos voos espaciais, ajudam a acalmar os nervos desgastados em um dia repleto de emoções, de acordo com o ex-astronauta da Nasa Paul Lockhart. Ele que pilotou duas missões do ônibus espacial para a Estação Espacial Internacional em 2002, lembra-se de participar em "ações de conforto que tornam o que você está fazendo acessível, para que você esteja mais calmo." Embora algumas destas tradições tenham um elevado fator de peculiaridade, também fornecem uma sensação de estabilidade e faz com que os astronautas ou cosmonautas se sintam ligados àqueles que viajaram ao espaço antes deles.

 

"Estas pessoas se sentem muito confortadas em fazer a mesma rotina antes do lançamento", diz Lockhart. "E às vezes isso tem que acontecer duas ou três vezes para uma única missão, porque o seu lançamento poderia ser adiado, caso não houvesse tempo favorável ou ocorresse falha de sistema", lembrou.

 

Para os astronautas do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, as tradições pré-lançamento começam com um pequeno-almoço e uma celebração com bolo, independentemente da hora do dia ou da noite.

 

"O café da manhã americano (“Breakfast”) é uma tradição que tem sido realizada desde, provavelmente, os primeiros dias do programa espacial", diz Lockhart. Poucas horas antes do lançamento, os astronautas, vestidos com seus macacões da equipe se reúnem para uma festa, regada a bife e ovos, acompanhados de um bolo comemorativo. Esse pequeno-almoço serve também para tirar uma foto de última hora, bem como uma oportunidade para que os membros da tripulação alinhem seus estômagos com a alimentação fracionada durante um longo voo que terão pela frente.

 

O café da manhã reforçado com bife e ovos (chamado no inglês de "Breakfast")

faz parte do ritual dos astronautas americanos.

 

Mas, os nervos, muitas vezes, deixam o alimento pelo caminho. Em seu livro de memórias “Riding Rockets”, Mike Mullane, que voou três missões pelo ônibus espacial entre 1984 e 1990, lembra-se de uma comum perda de apetite no dia do lançamento: "A maioria de nós não comeu nada ou muito levemente. Eu comia apenas um pedaço de torrada".

 

Para Mullane, o padrão bife com ovos no café não estava no menu. "Uma mordida e eu teria vomitado. Ninguém bebeu café. Isso teria sido um suicídio para a bexiga", escreveu ele.

 

Desde os primeiros dias do programa de voos tripulados da NASA, esse café da manhã foi um exercício de aparente calma. "No lançamento, o pequeno-almoço sempre tem um ar de casualidade estudada", escreve Michael Collins, piloto do Módulo de Comando da missão Apollo 11, em seu livro “Carrying the Fire”. Segundo ele, na manhã da pioneira missão ao solo lunar, "Ninguém ouvindo a nossa conversa poderia pensar que estávamos um pouco aborrecidos com a perspectiva de mais um dia vazio".

 

Após o café e o bolo que ninguém come, os astronautas vestem seus trajes para o lançamento e, com os minutos de sobra antes da chegada de uma van para transportá-los à plataforma de lançamento, sentam-se para jogar cartas. Lockhart explica as regras do jogo: "Não é um jogo de quem tem a melhor mão, mas quem tem a pior mão", diz ele. "E você não pode sair até que o comandante tenha a pior mão no pôquer. Então você se senta lá jogando cartas e dizendo, ‘Vamos lá, vamos nos apressar, você precisa perder pra ganhar para que possamos ir’". Às vezes, se as cartas não caem como deveria, este jogo de pôquer pode influenciar e vir a mexer perigosamente com o cronograma do lançamento.

 

Após o término do programa dos ônibus espaciais em 2011, os lançamentos tripulados do Kennedy Space Center estão suspensos. Pelo menos até 2017, quando lançamentos de voos espaciais tripulados estão projetados para continuar. Atualmente os astronautas americanos voam a partir da Rússia, que usa o Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, onde todo um outro conjunto de tradições pré-lançamento tem seu lugar.

 

Assinaturas na porta do quarto do Cosmonaut Hotel

faz parte da tradição dos cosmonautas russos.

 

Tradições russas

 

A maioria dos rituais russos presta homenagem a Yuri Gagarin, o cosmonauta soviético que, em 1961, tornou-se o primeiro ser humano a ir ao espaço. Os preparativos se iniciam cerca de duas semanas antes do lançamento, quando os cosmonautas visitam o antigo escritório de Gagarin na Cidade das Estrelas e assinam um livro de visitas. Cinco dias a uma semana antes do lançamento, os astronautas estarão hospedados no Cosmonaut Hotel, em Baikonur, próximos à base de lançamento, onde deverão ir a um bosque na Avenida dos Cosmonautas e plantar uma árvore. Cada viajante do espaço que tenha voado a partir de Baikonur fez todo o caminho de Gagarin e plantou uma árvore neste bosque.

 

Nas últimas 48 horas antes do lançamento, são prestadas homenagens a Gagarin e os membros da tripulação cortam o cabelo. Na noite antes do lançamento, é hora de assistir ao filme “1969: Branco Sol do Deserto”, um conto de alta ação produzido durante a guerra civil russa. Quando chega o novo dia, os membros da tripulação deixam o Cosmonaut Hotel, deixando suas assinaturas na porta do quarto. Tudo isso segue à risca o comportamento de Gagarin durante o pré-lançamento de seu histórico voo a bordo da Vostok, em 1961.

 

Uma vez que a equipe deixe o hotel, cada membro participa de uma tradição onde orações e bênçãos são entoadas por um padre ortodoxo russo. Um homem em vestes pretas com detalhes em ouro atira água benta em cada cosmonauta, enquanto aperta uma cruz dourada em sua face. Cada membro da tripulação é convidado a receber essa bênção, independentemente da sua religião ou da falta desta.

 

Em 2006, Anousheh Ansari, uma mulher muçulmana (de origem iraniana-americana) visitou à Estação Espacial como uma viajante espacial autofinanciada. Ela recorda em suas memórias que "os russos me perguntaram se eu faria alguma objeção a participar de uma cerimônia cristã, e eu respondi que uma oração em qualquer idioma ou religião será sempre uma oração".

 

Portanto, a bênção é uma das poucas tradições russas não ligadas à Gagarin. De acordo com a Agência Espacial Europeia (ESA), foi estabelecido em 1994, por solicitação do comandante da missão Soyuz TM-20 Alexander Viktorenko, que seja abençoado o foguete antes de partir para a então estação espacial russa Mir. A partir dai, a bênção foi realizada no foguete, na tripulação, e até mesmo nos membros da mídia que cobrem os lançamentos, uma vez que acabam mergulhados em água benta em pleno deserto.

 

Depois da bênção, os membros da tripulação seguem em um ônibus para a plataforma de lançamento. Mas antes passam por uma casa de banho, pausa obrigatória ao longo do caminho. De acordo com a ESA, quando Gagarin estava em seu caminho para a plataforma de lançamento, em 1961, ele percebeu que precisava urinar uma última vez. O ônibus foi parado e Gagarin saiu, foi para o pneu traseiro direito e aliviou-se. Como um tributo, cada viagem de ônibus para a plataforma de lançamento Baikonur incorpora agora essa parada, durante a qual os membros da tripulação fazem xixi no pneu traseiro direito do ônibus.

 

"Muito se fala nisso como uma tradição, mas realmente, se você estiver indo para ser trancado em uma nave num foguete, onde estará incapaz de deixar seu assento por algumas horas, é apenas senso comum", escreve o astronauta aposentado Chris Hadfield em seu livro “An Astronaut's Guide to Life on Earth”. O único problema é que, uma vez vestido com seu traje de lançamento, não se pode simplesmente descompactá-lo. Hadfield escreve que “os técnicos dos trajes tinham que nos ajudar a desfazer todas as fixações, era complicado, pois são cuidadosamente fechadas uma hora antes, mas fomos capazes de urinar no pneu sem estragar a nossa plumagem", afirma Hadfield.

 

As mulheres que viajam ao espaço pela agência russa estão dispensadas ​​de participar do ritual de urinar no caminho, mas quem desejar poderá trazer um frasco de sua própria urina para derramar sobre o pneu do ônibus durante a parada.

 

Faz parte: religioso ortodoxo russo joga água benta sobre os cosmonautas.

 

Familiares e lançamentos espaciais nos EUA

 

Todos esses rituais ajudam os viajantes espaciais a acalmar os nervos. Mas, o que se passa com as famílias dos astronautas ou cosmonautas que estão assistindo nervosamente seus entes queridos sendo lançados para o espaço? Eles também participam de tradições projetadas para manter e reconhecer a excepcionalidade dessa experiência, minimizando as preocupações.

 

"Durante os lançamentos dos ônibus espaciais, os familiares eram levados para o centro de controle de lançamento", diz Lockhart que, além de voar para a Nasa, serviu como um "acompanhante astronauta" no Kennedy Space Center para familiares nos dias de lançamento. De acordo com ele, como uma tradição no centro espacial, as crianças são colocadas à frente de um quadro branco e recebem pincéis para desenhar qualquer coisa que gostar.

 

"Eles fazem isso para manter as crianças ocupadas enquanto o processo de contagem regressiva está ocorrendo", diz Lockhart. "Depois a Nasa cobre esse quadro com plástico e este se torna arte na parede. Então, se você for ao centro de controle de lançamento no Centro Espacial Kennedy e andar pelos corredores, você vai encontrar dezenas destes quadros que foram feitos pelas crianças", afirma.

 

Os quadros fornecem uma visão infantil fascinante sobre como é ter um membro da família a decolar para o espaço. "Você tem uma perspectiva de uma criança com seis ou sete anos e que realmente não entende o que está acontecendo de fato", diz Lockhart. "Então você vai ter a arte dos filhos adolescentes, ou talvez, de alguém que acabou de se inserir na faculdade, e seus desenhos retratam o que aconteceu com sua família. Alguns deles são realmente esclarecedores", afirma Lockhart.

 

Na sequência de um lançamento bem-sucedido, as famílias visitam o escritório do diretor de lançamento da Nasa e coloca uma imagem de seu amado na porta. Em seguida, são convidadas a participar de uma última tradição de origem desconhecida: compartilhar uma refeição de feijão e pão de milho.

 

* Informações do portal viresattached.com.

   27/07/2016

 

- Tradução e edição: Pepe Chaves.

 

- Colaborou: J. Ildefonso P. de Souza.

 

- Imagens: viresattached.com/reprodução.

 

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 - Produção: Pepe Chaves.  

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